Neurose
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Veja: Autoengano, Culpa falsa, Egoísmo, Hipocrisia, Imaturidade, Intensidade, Trapaça

A neurose nada mais é que a fuga e o não-enfrentamento do Eu Inferior.

É energia, consciência, substância empoçada e presa. É distorção, imagem, repressão, imaturidade.

Onde existe neurose também existe “pecado” e mal. Significa sempre uma falha de caráter que pode ser o egoísmo, a cobiça, o orgulho, a covardia, o egocentrismo, a crueldade.

Em outras palavras, é a área do ser onde nossa integridade permanece diminuta, onde as falsas culpas são produzidas, a fraqueza e a paralisia existem, assim como a diminuição das faculdades produtivas inerentes. Ao deixar de encarar essa área, tornamo-nos incapazes de lidar com os resultados das inclinações do nosso Eu Inferior. Dessa forma, carregamos uma dupla culpa sobre nossos ombros: o egoísmo real e a falta de amor, manifestando-se em ação, pensamento ou sentimento; a fuga e o autoengano, a hipocrisia quando frequentemente há o fingimento de ser o contrário do que se é. Dessa forma, não fazemos uma reparação da culpa original.

Toda atitude neurótica se forma em torno de um núcleo de necessidades reprimidas e da incapacidade de abrir mão de alguma coisa para se satisfazer, o que provoca sintomas de impotência, dependência, incapacidade de fazer escolhas, de enxergar apenas duas alternativas igualmente insatisfatórias.

Toda neurose é, ao mesmo tempo, resultado e origem de uma intensidade artificial, algo semiconscientemente cultivado e deliberadamente acalentado e que nos separa do fluxo da vida. O motivo pelo qual se cultiva esta atitude destrutiva se deve ao equívoco dualista (por exemplo, o bem ou o mal) e a autodramatização que pode ocorrer internamente e nunca ser explicitada aos outros.

A neurose é simultaneamente um sinal de saúde e de doença; uma mensagem que leva o homem a se sentir bem novamente, após ter perdido seu rumo apropriado. Isto é uma demonstração da transcendência da dualidade. O conceito dualístico é doença ou saúde.

A neurose é geralmente vista como doença. Apesar da verdade dessa afirmação, é igualmente verdadeiro que a neurose vem da saúde, e luta em direção à saúde, porque ela é o sinal que emite o espírito saudável na sua rebelião contra o mau direcionamento da personalidade externa.

Quanto mais o homem ignora seu direito de nascença de ser feliz, e descuida da mensagem do seu espírito, que quer colocá-lo na direção do viver de acordo com estes direitos básicos, mais ele quer trapacear e passar sem dar nada.

O retorno ao self como centro da nossa existência solicita decisão e trabalho nessa direção. Se buscarmos o suficiente e não pararmos hesitantes e com medo da investigação, veremos que esta busca não pode estar contra os verdadeiros interesses de crescimento e revelação daqueles cujos interesses doentios, agem com os seus próprios self dependentes, temerosos, que querem abdicar da autorresponsabilidade.

Autointeresses saudáveis podem estar contra os interesses de estagnação e não crescimento de nós mesmos e dos outros. Se encararmos isto francamente e sem sentimentalismo, a coragem de sermos nós mesmos irá surgir a partir desta visão completa e verdadeira. E toda a falsidade irá desprender-se com sua carga de sofrimento e tensão.

Palestras: 092, 094, 109, 151, 164, 186

092: NECESSIDADES REPRIMIDAS, RENUNCIANDO ÀS NECESSIDADES CEGAS, REAÇÕES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS
094: O EU VERDADEIRO VERSUS OS NÍVEIS SUPERFICIAIS DA PERSONALIDADE; PECADO E NEUROSE; CONCEITOS DIVIDIDOS QUE GERAM CONFUSÃO
109: A SAÚDE ESPIRITUAL E EMOCIONAL ATRAVÉS DA RESTITUIÇÃO DA CULPA REAL
151: INTENSIDADE: UM OBSTÁCULO PARA A AUTOREALIZAÇÃO
164: OUTROS ASPECTOS DA POLARIDADE - EGOÍSMO
186: O RISCO DA RECIPROCIDADE: FORÇA CURATIVA PARA MUDAR A VONTADE INTERIOR NEGATIVA

ABC

Sentença do Guia “A vida envia um chamado; ela faz uma exigência a cada indivíduo. A maioria das pessoas sentem esse chamado. Apenas à medida que se torna consciente das suas próprias ilusões é que você pode simultaneamente tornar-se mais consciente da verdade que está dentro de você mesmo e, portanto, da vida.” P. 145